quinta-feira, 2 de outubro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Casório
Oh yeeeeaaah!!!
Procedimentos burocráticos no Governo Civil. Ganda seca!
Chuack!
Os pombinhos.
Da esquerda para a direita:Margarida (minha amiga, minha testemunha e não disponível), Eu (obviamente não disponível), Ela (obviamente também não disponível), Cláudia (aka Binha, testemunha dela, minha cunhada e disponível).
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Black Kimono - Myspace
BLACK KIMONO!!!
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Be cool
Jules: Now Yolanda, we're not gonna do anything stupid, are we?
Yolanda: You don't hurt him.
Jules: Nobody's gonna hurt anybody. We're gonna be like three little Fonzies here. And what's Fonzie like? Come on Yolanda what's Fonzie like?
Yolanda: Cool?
Jules: What?
Yolanda: He's cool.
Jules: Correctamundo. And that's what we're gonna be. We're gonna be cool.
Agradeço ao meu amigo João Ramos ter-me enviado este diálogo extraido do filme Pulp Fiction
Informática e programação
Para a maioria das pessoas informática e programação têm tanto a ver uma com a outra como a galinha tem a ver com o ovo. No entanto, para mim não é bem o caso.
Geralmente as pessoas que contactam comigo assumem não sei bem porquê que eu sou informático (na realidade a minha formação universitária é em engenharia electrotécnica) e consequentemente acham que eu devo perceber imenso de myspace, hi5, linux, skype, assim como estar obrigatoriamente a par da mais recente versão de qualquer tipo de software e hardware.
A verdade é que não só me estou nas tintas para tudo isso, como sou bastante inculto nessas modernices, e quando chego a casa estou tão farto de computadores que a última coisa que me apetece é pegar num. Quando comecei a aventurar-me na internet já os meus amigos e conhecidos a surfavam à imenso tempo.
O que eu gosto verdadeiramente é de programar, do desafio inerente ao analisar e tentar esquematizar e pôr em prática a maneira mais simples, rápida e eficaz de chegar de A a B. Isso sim, dá pica!
Claro que por exemplo fazer um site programando em HTML e javascript dá muito mais trabalho que recorrer a um programa de webdesign, mas o gozo inerente a isso é o mesmo que o de um tipo que pega num automóvel qualquer do ferro-velho e através do tunning o transforma numa máquina de devorar quilómetros, comparativamente ao de alguém que se limita a ir comprar um popó ao stand. Ambos os carros andam, mas...
P.S.
Não sei se tunning se escreve com um "n" ou dois. Não estive para pesquisar, mas optei por usar dois porque dá mais estilo!
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
O poder da vírgula
O texto abaixo foi criado para ser veiculado em um anúncio comemorativo dos 100 anos da ABI - Associação Brasileira de Imprensa:
Vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.
Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
Detalhes Adicionais:"Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro à sua procura."
Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.
Uma vírgula muda tudo!
Retirado de http://aletp.com/2008/08/25/uma-virgula-muda-tudo/
Unha
ATENÇÃO - A visualisação destas imagens não é aconselhada a pessoas sensíveis e pode causar traumas profundos.
Tendo em conta esta advertência prévia desresponsabilizo-me desde já pelo pagamento de despesas com psiquiatras, psicólogos, e tratamento de quaisquer doenças do foro mental e físico resultantes de verem este tópico.
Sendo assim após no tópico anterior ter mencionado o retorno de uma banda de grind-core, dou um gigantesco passo em frente em direcção aos vossos piores pesadelos.
Na semana passada foi finalmente arrancar a unha que após ter levado uma martelada há 2 meses e ficado em consequência negra, tinha começado a cair havia 3 semanas, estando apenas tenazmente presa por um fio. Um verdadeiro exemplo de persistência!
Deixo-vos as imagens:
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Carcass - the gods of grind are back from the dead
Uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos voltaram a reunir-se este ano depois de se terem separado em 1995. Soube tarde demais que tinham tocado em Portugal num festival qualquer algures. Adorava ter podido vê-los de novo, depois da performance a que assisti no Porto em 1994.
São constituidos pela (para mim) quase melhor formação de sempre com Jeff Walker (voz e baixo), Bill Steer (guitarra), Michael Amott (guitarra) e Daniel Erlandsson (que substui o baterista original - Ken Owen - impossibilitado de tocar devido ao derrame cerebral que em 1999 lhe provocou um coma de 10 meses).
segunda-feira, 28 de julho de 2008
George Bush Fan Club
Criado em 2004, agora que o George Bush Jr se vai despedir da Casa Branca deixando-nos a todos pesarosos e cheios de saudades, está na altura de angariar novos sócios para o seu clube de fãns.
De salientar que entre os membros deste clube se contam proeminentes personagens do mundo político, artístico, empresarial e não só, como por exemplo:
-Dick Cheney
-Condoleezza Rice
-Michael Moore
-Saddam Husseim (membro a título póstumo)
-Ossama Bin Ladden
-Paulo Portas
-Cicciolina
-Belmiro de Azevedo
-James Hetfield (não confundir com o dos Metallica)
-Fidel C. (apesar de grande admirador do Sr. George Bush, este sócio pediu para não ser revelada a totalidade do seu nome)
-Bento XVI
-Don Corleone
-Dª Maria (peixeira mais popular do mercado do Bolhão)
-Pedro Marques (autor da foto e Secretário Geral do Clube)
Aqui vai uma mensagem do presidente do clube e autor deste blog:
terça-feira, 15 de julho de 2008
Galinha Joaquina
A seguinte estória verídica foi relatada pela Maria Pinto Teixeira:
A Joaquina vive na quinta da minha Mãe, juntamente com mais 6 galinhas, 4 coelhos, 5 gatos e 6 cadelas, todos resgatados de situações de risco.
Todos os animais da quinta se dão bem: gatos, galinhas e cães, todos andam em liberdade e convivem pacificamente.
Mas um dia recebemos na quinta um visitante inesperado: uma águia. A águia atacou a Joaquina, que ficou completamente paralisada, sem controle dos movimentos das patas.
Todos foram de opinião que era necessário sacrificar a galinha: seria impossível ela algum dia voltar a andar.
Mas a minha Mãe pegou na desorientada Joaquina ao colo, olharam ambas fixamente uma para a outra, e o veredicto da minha Mãe foi este: "Não, esta galinha ainda tem vida, há que lutar por ela."
A Joaquina foi viver para dentro de casa e começou o seu período de recuperação. Foram 4 meses de tratamentos diários.
Houve períodos difíceis, em que os tratamentos veterinários se revelaram praticamente ineficazes e os progressos eram lentos e pouco seguros. Mas a minha Mãe não duvidou um só dia de que a Joaquina iria um dia voltar a andar. Não sei se foram as massagens e fisioterapia, os medicamentos naturais ou a cadeirinha improvisada que o meu padrasto construiu, ou se foi a obstinação da minha Mãe e a força de vontade da Joaquina que operaram este pequeno milagre: o que é certo é que após 4 meses de quase imobilidade a Joaquina começou a dar os primeiros passos.
Criou-se entre a Joaquina e a minha Mãe uma cumplicidade curiosa. É engraçado ver a minha Mãe passar atarefada nos trabalhos da quinta com uma galinha a segui-la com uns passitos trémulos e esvoaçantes.
A Joaquina gosta de festas, de estar perto de nós e de esperar que acabemos de lanchar para comer as migalhas do pão. Conhece perfeitamente o nome dela e aprendeu a esconder-se debaixo dos arbustos quando ouve o piar das águias.
Quando vejo a Joaquina esgravatar o chão com as suas ainda frágeis e recém funcionantes patas e sacudir as asas ao sol lembro-me sempre das galinhas de bateria, que vivem as suas curtas e miseráveis vidas fechadas em cubículos do tamanho de uma folha A4, sem se poderem mexer e nem sequer abrir as asas, com os bicos mutilados e sem verem a luz do dia, com o único propósito de fornecer ovos e carne para alimentação humana.
Penso nos milhões de animais que são torturados e mortos todos os anos para o mesmo fim. Penso que os animais que conseguimos salvar na quinta serão sempre poucos, que nunca conseguiremos sequer arranhar a superfície do problema e que a mudança fundamental na mentalidade das pessoas tarda demais a chegar...
Mas depois recebo uma notícia como a que vos encaminho abaixo, e que, apesar de ser apenas um passo minúsculo, é um passo na direcção certa. E sinto um novo ânimo...


quinta-feira, 10 de julho de 2008
Revolução, transformação, evolução
Os ultimos meses têm sido recheados com as três. Desde afastar-me de uma pessoa que durante bastante tempo considerei bom amigo, mas que deixei que me usasse para satisfazer os seus objectivos, passando por ter terminado uma relação de quase 5 anos com a minha (agora) ex-namorada, até ter sido levado a mudar temporariamente de casa pois o ambiente de vida em ainda em comum com ela estava a revelar-se demasiado pesado, tendo inclusivamente desistido das aulas de bateria por não ter condições para me concentrar no estudo em casa. Todas elas foram mudanças difíceis, pois implicaram cortar com algo em que se invistiu durante bastante tempo. A casa temporária onde me encontro desde 6ª passada não é excepção, pois apesar de já ter experimentado por diversas vezes alternar entre a minha casa e a da namorada de cada altura, assim como ter vivido sózinho em várias ocasiões, esta foi a primeira vez em que cortei com as minhas raízes e deixei completamente a casa onde vivi desde sempre, indo para um espaço que ainda me parece estranho. É sempre bom não estarmos apegados seja ao que for e não termos nada por certo, por isso esta mudança tem também a vantagem de me cortar o cordão umbilical que me unia à casa de sempre. Felizmente tenho tido a companhia da minha actual e relativamente recente namorada (mas melhor amiga de longa data) com a qual estou a experimentar viver junto e que me tem ajudado muito, dando-me graças à sua presença uma sensação de familiaridade no meio do novo e desconhecido, e sem a qual este passo seria certamente mais difícil.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Sugestão de leitura
Escrito por Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche, mais conhecido por ser o realizador dos filmes "The Cup" e "Travellers and magicians", este livro aborda de forma simples e ao mesmo tempo profunda aquilo que são os quatro selos do Budismo:
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Pão e circo
No tempo do Império Romano era esta a divisa usada pelos poderosos para satisfazer o povo e mantê-lo num estado graça que não lhe permitia tomar consciência da sua real situação de exploração e subjugação.
Hoje em dia pouco mudou, apenas os métodos se sofisticaram mais um pouco. Mesmo para aqueles que não podem procurar a sua felicidade enganadora no consumismo, as telenovelas e o futebol entre outros estão lá, acessíveis a todos e cumprindo a sua função de nos manter sonâmbulos e inconscientes, verdadeiramente sonhando acordados.
Segundo a primeira página de vários jornais, ontem um dos sonhos acabou com a derrota da selecção portuguesa de futebol frente à Alemanha por 2-3. Embora tendo compaixão pelo estado de ineflicidade que grande parte da população nacional deve ainda hoje sentir, não deixo de me regojizar pelo resultado. Pode ser que tendo por agora acabado o fluxo deste verdadeiro ópio do povo que é a euforia das vitórias futebolísticas, as gentes tomem um pouco consciência da sua condição de miseráveis. Não tenho esperança que aconteça nenhuma revolução popular pois o povo é demasiado imaturo para tal e no seu estado actual sente inconscientemente precisar ainda de um tutor que o guie, mas pode ser que com mais uma acha para a fogueira do descontentamento, se continue a caminhar de mansinho para uma futura mudança.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Manifs
Ultimamente tenho recebido vários mails com apelos a manifs. Os motivos são vários e vão desde as pessoas que sentem que lhes tão a enviar um ferro em brasa pelo traseiro acima de cada vez que metem gasosa no popó devido ao preço desta, aos defensores dos direitos dos animais que protestam contra a barbárie da forma de tortura chamada tourada. Mas sejam quais forem esses motivos, a forma de protesto a que se apela é invariavelmente ruidosa, o que tanto pode ser considerado uma forma de agressão em si, como uma forma de mostrar que "nós estamos aqui", ou uma mistura de ambas.
Por outro lado recordo-me da vigília silenciosa em que participei há uns meses para protestar contra a situação na Birmânia. Foi igualmente eficaz em chamar a atenção dos media e provavelmente teve a presença de pessoas que não teriam ido se o protesto tivesse sido em moldes mais facilmente conotados com qualquer forma de violência. Em manifestações ruidosas os participantes são mais facilmente considerados como um grupo de arruaceiros e não só provocam mais raiva nas pessoas contra quais protestam, como geram a desconfiança das pessoas no geral. Pelo contrário as manifestações sem qualquer forma de violência não geram tanta raiva do "outro lado", como conquistam mais simpatia da parte de quem observa de "fora".
Para quem duvida ainda que a não-violência funciona, sugiro que investigue um pouco sobre a obra do Gandhi, ou veja o filme sobre a sua vida (recomendo vivamente).
quarta-feira, 11 de junho de 2008
HMS Victory
Em miúdo ofereceram-me um livro sobre barcos de todos os tempos. Nele constavam duas páginas sobre um dos maiores ex-libris dos veleiros de finais do século XVIII, princípio do século XIX - o HMS Victory, um dos responsáveis pelo meu fascínio por grandes veleiros. Navio almirante da frota britânica na batalha de Trafalgar, a bordo do qual morreu o almirante Nelson, está agora em doca seca em Portsmouth onde o fui finalmente visitar aquando da minha recente estadia em Inglaterra, realizado assim um velho sonho de infância. Mais informações sobre este histórico barco em http://www.hms-victory.com/ e http://en.wikipedia.org/wiki/HMS_Victory
terça-feira, 10 de junho de 2008
Banksy
Banksy é o pseudónimo de um artista do graffiti bastante conhecido e também segundo consta procurado pela polícia. (ver mais em http://www.banksy.co.uk/menu.html e http://en.wikipedia.org/wiki/Banksy)
segunda-feira, 9 de junho de 2008
A escravatura do género
Hoje apareceu na 1ª página de um jornal de distribuição gratuita a seguite notícia:
"A guerra entre dois clãs rivais paquistaneses, por causa da morte de um burro, foi resolvida com a oferta de 15 virgens, com idades entre os 3 e os 10 anos, para casarem com homens mais velhos" (desenvolvimento da notícia em http://dn.sapo.pt/2008/06/09/internacional/quinze_virgens_pelo_da_guerra_entre_.html)
Apesar da escravatura de acordo com a raça estar oficialmente abolida desde o século XIX, ainda continuam a existir actualmente várias outras formas de escravatura, algumas encapotadas como a exploração laboral de adultos ou crianças, tráfico de seres humanos; outras de forma clara, considerando outras pessoas como meros objectos e tratando-as como tal. É o que se passa com muitas mulheres em sociedades manifestamente patriarcais de todo o mundo. Propriedade do seu marido ou pai, estas mulheres não têm qualquer poder de decidir sobre o seu futuro e são como neste caso usadas como mercadoria de troca.
Pode-nos parecer muito chocante o que se passa em países como o Paquistão, mas em Portugal não é preciso recuar muito no tempo para depararmos com situações em que as mulheres só podiam viajar ou arranjar emprego com autorização do marido, autêntica forma de escravatura doméstica.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Vitória contra a crueldade
A RTP foi hoje notificada pela 12.ª Vara Cível de Lisboa – 1.ª Secção do despacho da decisão tomada na passada 6.ª feira, 30 de Maio, por este tribunal, que julgou procedente uma providência cautelar interposta pela ANIMAL com vista a impedir judicialmente a RTP de difundir a 44.ª Corrida TV (cuja emissão em directo, a partir das 17 horas do próximo domingo, 8 de Junho, tem estado a ser largamente anunciada pela RTP) antes das 22h30m e sem a difusão permanente de um indicativo visual apropriado que indique que as touradas são programas violentos susceptíveis de influir negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes (afectando esta decisão todos os canais da RTP).
...
Ouvidas as testemunhas arroladas pela ANIMAL – contando-se entre estas testemunhas dois psicólogos clínicos e um biólogo e professor universitário de etologia (ciência que estuda o comportamento animal) –, o tribunal deu como provado que o visionamento de touradas televisionadas é, pelo menos, susceptível de ter uma influência negativa e deseducativa na construção e no desenvolvimento da personalidade de crianças e adolescentes, transmitindo-lhes a mensagem de que torturar um animal, fazer disso espectáculo e exibi-lo televisivamente (entrando estas imagens e esta mensagem pela “casa de crianças e adolescentes adentro” e em horários televisivos perfeitamente acessíveis a uns e outros) é aceitável e normal. A ANIMAL alegou – e o tribunal deu como provado – que o visionamento de touradas, especialmente quando exibidas na televisão em horário irrestrito, expõe crianças e adolescentes a um processo de dessensitização relativamente ao sofrimento dos animais (e também ao sofrimento de humanos), sendo a inflicção de sofrimento ali apresentada como um espectáculo legítimo, aparentemente artístico, em que a tortura de animais é louvada como esteticamente apreciável e moralmente neutra, e cuja respeitabilidade é tão grande, que aquele espectáculo chega a ser emitido televisivamente e a horas irrestritas – de fácil acesso a crianças e adolescentes (sendo exemplo disso as 17h, hora para a qual estava programada a exibição desta tourada).
O tribunal deu também como provado que, ao mesmo tempo que o Estado Português, através dos manuais escolares aprovados pelo Ministério da Educação, incorpora no conjunto curricular de mensagens educativas e formativas nos vários níveis de ensino a mensagem de que as crianças e os adolescentes devem respeitar e proteger os animais e a natureza, contraditoriamente, o Estado não só autoriza ainda a prática de touradas – o que vai contra as mesmas mensagens educativas veiculadas nos manuais escolares e que constituem tema de tantos trabalhos de turmas e alunos por todo o país na disciplina de “área projecto” –, como também, através da estação de televisão estatal, exibe espectáculos de violência contra animais como é o caso das touradas, e fazendo-o a qualquer hora, transmitindo, assim, a mensagem negativa e absolutamente inversa ao que nas escolas se procura ensinar. Neste contexto, o tribunal deu como provado que estas mensagens contraditórias geram confusão no quadro de valores que se pretende incutir às crianças, condenando, nas escolas, os maus tratos a animais, enquanto promove e glorifica, na televisão, esta violência. Ficou também provado que, dando-se o processo de aprendizagem essencialmente por imitação de comportamentos, as crianças e os adolescentes poderão ser susceptíveis de virem a imitar os comportamentos violentos que vêem glorificados nas touradas e que aí são apresentados como sinais de heroísmo, bravura e arte – não obstante o facto de serem comportamentos cruéis para com os animais.
Segundo Rita Silva, Vice-Presidente da ANIMAL, ”No Ocidente, os países onde os animais são mais mal tratados e onde há uma maior indiferença das populações relativamente ao sofrimento dos animais são, por norma, países onde existe actividade tauromáquica permitida pelo Estado. Portugal é um desses casos, sem dúvida alguma, sendo um país onde ainda hoje os animais se encontram fortemente desprotegidos e onde ainda não são vistos, de um modo geral, com respeito. Isso deve-se, sem dúvida alguma e em grande parte, ao facto do Estado permitir que em qualquer centro de qualquer cidade ou vila do país vários touros e outros animais sejam expostos a uma tortura extrema, com contornos de crueldade assustadores, no contexto de corridas de touros e outras práticas tauromáquicas que são promovidas e acolhidas como espectáculos e cuja popularidade é estimulada. Nos últimos dez anos, sobretudo, a popularidade das touradas decresceu brutalmente em Portugal, fruto de campanhas a favor dos direitos dos animais, e, com isso, tem-se dado também o avançado declínio económico desta indústria sanguinária. Os portugueses já não querem que as touradas possam acontecer em Portugal e querem que Portugal seja um país onde os animais sejam bem tratados e mais fortemente protegidos. Mas o Estado não tem reflectido isso através das suas decisões e a RTP, desde logo, tem tido um papel vergonhoso ao insistir em promover e difundir um espectáculo deplorável que devia ser já proibido e que, pelo menos, deveria estar completamente vedado de ser promovido ou difundido pelas estações de televisão. Não é de todo aceitável que estas, particularmente a RTP, continuem a insistir no processo de dessentização que faz com que os portugueses ainda hoje não tenham tanta empatia para com os animais e os seus direitos quanta deviam ter. Esta decisão judicial notável e absolutamente pioneira no mundo virou, agora, uma importante página da história da abolição das touradas e esperamos que a RTP e outras entidades retirem daqui as devidas conclusões”.


