It's time to wake up!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Vitória contra a crueldade

A RTP foi hoje notificada pela 12.ª Vara Cível de Lisboa – 1.ª Secção do despacho da decisão tomada na passada 6.ª feira, 30 de Maio, por este tribunal, que julgou procedente uma providência cautelar interposta pela ANIMAL com vista a impedir judicialmente a RTP de difundir a 44.ª Corrida TV (cuja emissão em directo, a partir das 17 horas do próximo domingo, 8 de Junho, tem estado a ser largamente anunciada pela RTP) antes das 22h30m e sem a difusão permanente de um indicativo visual apropriado que indique que as touradas são programas violentos susceptíveis de influir negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes (afectando esta decisão todos os canais da RTP).
...
Ouvidas as testemunhas arroladas pela ANIMAL – contando-se entre estas testemunhas dois psicólogos clínicos e um biólogo e professor universitário de etologia (ciência que estuda o comportamento animal) –, o tribunal deu como provado que o visionamento de touradas televisionadas é, pelo menos, susceptível de ter uma influência negativa e deseducativa na construção e no desenvolvimento da personalidade de crianças e adolescentes, transmitindo-lhes a mensagem de que torturar um animal, fazer disso espectáculo e exibi-lo televisivamente (entrando estas imagens e esta mensagem pela “casa de crianças e adolescentes adentro” e em horários televisivos perfeitamente acessíveis a uns e outros) é aceitável e normal. A ANIMAL alegou – e o tribunal deu como provado – que o visionamento de touradas, especialmente quando exibidas na televisão em horário irrestrito, expõe crianças e adolescentes a um processo de dessensitização relativamente ao sofrimento dos animais (e também ao sofrimento de humanos), sendo a inflicção de sofrimento ali apresentada como um espectáculo legítimo, aparentemente artístico, em que a tortura de animais é louvada como esteticamente apreciável e moralmente neutra, e cuja respeitabilidade é tão grande, que aquele espectáculo chega a ser emitido televisivamente e a horas irrestritas – de fácil acesso a crianças e adolescentes (sendo exemplo disso as 17h, hora para a qual estava programada a exibição desta tourada).
O tribunal deu também como provado que, ao mesmo tempo que o Estado Português, através dos manuais escolares aprovados pelo Ministério da Educação, incorpora no conjunto curricular de mensagens educativas e formativas nos vários níveis de ensino a mensagem de que as crianças e os adolescentes devem respeitar e proteger os animais e a natureza, contraditoriamente, o Estado não só autoriza ainda a prática de touradas – o que vai contra as mesmas mensagens educativas veiculadas nos manuais escolares e que constituem tema de tantos trabalhos de turmas e alunos por todo o país na disciplina de “área projecto” –, como também, através da estação de televisão estatal, exibe espectáculos de violência contra animais como é o caso das touradas, e fazendo-o a qualquer hora, transmitindo, assim, a mensagem negativa e absolutamente inversa ao que nas escolas se procura ensinar. Neste contexto, o tribunal deu como provado que estas mensagens contraditórias geram confusão no quadro de valores que se pretende incutir às crianças, condenando, nas escolas, os maus tratos a animais, enquanto promove e glorifica, na televisão, esta violência. Ficou também provado que, dando-se o processo de aprendizagem essencialmente por imitação de comportamentos, as crianças e os adolescentes poderão ser susceptíveis de virem a imitar os comportamentos violentos que vêem glorificados nas touradas e que aí são apresentados como sinais de heroísmo, bravura e arte – não obstante o facto de serem comportamentos cruéis para com os animais.
Segundo Rita Silva, Vice-Presidente da ANIMAL, ”No Ocidente, os países onde os animais são mais mal tratados e onde há uma maior indiferença das populações relativamente ao sofrimento dos animais são, por norma, países onde existe actividade tauromáquica permitida pelo Estado. Portugal é um desses casos, sem dúvida alguma, sendo um país onde ainda hoje os animais se encontram fortemente desprotegidos e onde ainda não são vistos, de um modo geral, com respeito. Isso deve-se, sem dúvida alguma e em grande parte, ao facto do Estado permitir que em qualquer centro de qualquer cidade ou vila do país vários touros e outros animais sejam expostos a uma tortura extrema, com contornos de crueldade assustadores, no contexto de corridas de touros e outras práticas tauromáquicas que são promovidas e acolhidas como espectáculos e cuja popularidade é estimulada. Nos últimos dez anos, sobretudo, a popularidade das touradas decresceu brutalmente em Portugal, fruto de campanhas a favor dos direitos dos animais, e, com isso, tem-se dado também o avançado declínio económico desta indústria sanguinária. Os portugueses já não querem que as touradas possam acontecer em Portugal e querem que Portugal seja um país onde os animais sejam bem tratados e mais fortemente protegidos. Mas o Estado não tem reflectido isso através das suas decisões e a RTP, desde logo, tem tido um papel vergonhoso ao insistir em promover e difundir um espectáculo deplorável que devia ser já proibido e que, pelo menos, deveria estar completamente vedado de ser promovido ou difundido pelas estações de televisão. Não é de todo aceitável que estas, particularmente a RTP, continuem a insistir no processo de dessentização que faz com que os portugueses ainda hoje não tenham tanta empatia para com os animais e os seus direitos quanta deviam ter. Esta decisão judicial notável e absolutamente pioneira no mundo virou, agora, uma importante página da história da abolição das touradas e esperamos que a RTP e outras entidades retirem daqui as devidas conclusões”.

terça-feira, 3 de junho de 2008

O remador é um incompetente

Lê-se numa crónica que no ano de 2005 se celebrou uma competição de remo entre duas equipas, uma composta por trabalhadores de uma empresa portuguesa e a outra pelos seus congéneres japoneses.
Dada a partida, os remadores japoneses começaram a destacar-se desde o primeiro instante. Chegaram à meta primeiro, e a equipa portuguesa chegou com uma hora de atraso.
De regresso a casa, a direcção reuniu-se para analisar as causas de tão desastrosa actuação e chegaram à seguinte conclusão: detectou-se que na equipa japonesa havia um chefe de equipa e dez remadores, enquanto que na equipa portuguesa havia um remador e dez chefes de serviço, facto que seria alterado no ano seguinte.
No ano de 2006 e após ser dada a partida, rapidamente a equipa japonesa começou a ganhar vantagem desde a primeira remadela. Desta vez a equipa portuguesa chegou com duas horas de atraso. A Direcção voltou a reunir após forte reprimenda da Gerência e viram que na equipa japonesa havia um chefe de equipa e dez remadores, enquanto que a portuguesa, após as eficazes medidas adaptadas com o fracasso do ano passado, era composta por um chefe de serviço, dois assessores da Direcção, quatro de chefe secção e um remador.
Após minuciosa análise, chega-se à seguinte conclusão:
- O remador é um incompetente!
No ano de 2007, como não podia deixar de ser, a equipa japonesa adiantou-se mal foi dada a partida. A embarcação que este ano tinha sido encomendada ao departamento de novas tecnologias, chegou com quatro horas de atraso.
Após a regata e para avaliar os resultados, celebrou-se uma reunião ao mais alto nível no piso superior do edifício, chegando-se à seguinte conclusão: este ano a equipa japonesa optou novamente por um chefe de equipa e dez remadores. A equipa portuguesa, após uma auditoria externa e um assessoramento especial do departamento de informática, optou por uma formação mais vanguardista, composta por um chefe de serviço, três chefes de secção, dois auditores da Arthur Andersen e quatro securitas que controlavam a actividade do único remador, ao qual se tinha aberto processo disciplinar e retirado todos os bónus e incentivos devido aos fracassos de anos anteriores.
Após prolongadas reuniões, decidiu-se que para a regata de 2008 o remador será contratado para o efeito, já que se notou que a partir do vigésimo quinto quilómetro o remador mostrava algum desinteresse e que atingia a indiferença na linha da meta.

Preço da gasosa

Já estou mais que totalmente farto de receber mails a apelar ao boicote das principais gasolineiras a operar em Portugal. É verdade que a gasosa é mais barata em Espanha e que cá provavelmente os impostos que recaem sobre ela não são usados da melhor forma que seria subsidiar veículos a funcionar energias alternativas ou transportes públicos.
Mas porra, estou farto dos queixumes de comodistas aburguesados que se estão a cagar para o ambiente desde que possam usar o conforto do seu popó nem que seja para se deslocarem 100m. Infelizmente a única linguagem que este tipo de gente entende é a de quando lhes vão à carteira, pois para o seu enorme egoismo comodismo individual é bem mais importante que o meio ambiente que nos afecta não só a todos mas também às futuras gerações. Pois bem, que seja assim caro, e ainda mais! Desde que parte do preço da gasosa sirva para os fins que atrás mencionei, acho muito bem que ela seja o mais cara possível. Quem não gosta compre um híbrido, desloque-se de transportes públicos, a pé ou de bicicleta, ou então que vá pentear macacos!

Monotonix

Esta foi uma banda que vi num pub em Bristol. Não sabia nada deles mas com a informação que recebi sobre a banda era difícil não criar expectativas. Fazia parte da sua reputação terem pegado fogo à bateria num concerto. Isto poderia não acontecer até porque as baterias são caras (eu que o diga), mas pelo menos prometia total loucura em palco e fora dele. Foi exactamente o que aconteceu. O vocalista e o guitarrista metiam-se a tocar no meio do público (tendo às tantas juntado-se a eles o baterista), subiam para cima dos amplificadores, parapeitos das janelas e bombo gerando o delírio. Acabaram o concerto em apoteose cantando com o público o famoso tema “God save the queen” dos Sex Pistols. Que concerto fantástico!
Pena que em Portugal não exista a cultura de haverem espaços como este que servem de plataforma de lançamento a bandas, algumas das quais mais tarde enchem estádios.
Vejam o myspace da banda em http://www.myspace.com/monotonix se bem que este não permite imaginar um décimo do que é a energia desta banda ao vivo.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Maiakovski

Poeta russo "suicidado" após a revolução de Lenin… escreveu, ainda no início do século XX :


Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

Depois de Maiakovski…

Primeiro levaram os negros. Mas não me importei com isso .Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários. Mas não me importei com isso. Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis. Mas não me importei com isso. Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados. Mas como tenho meu emprego. Também não me importei.
Agora estão me levando. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht (1898-1956)

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar...
Martin Niemöller, 1933 - símbolo da resistência aos nazistas.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Ivette

Esta é mais uma menina como muitas outras crianças espalhadas pelo mundo. Fez 6 anos no passado dia 5 e mora no Equador. Pertencendo a uma família de fracos rendimentos, está a ser "apadrinhada" por mim até atingir a maioridade através de uma organização internacional de apoio a crianças desfavorecidas. O objectivo é proporcionar-lhe melhores condições e dar-lhe incentivo na sua formação escolar para que não desista prematuramente dos seus estudos e possa vir a ter uma vida melhor. Chama-se Ivette Katiuska Angulo Bravo, mas eu refiro-me a ela como a "minha princesa". Entretanto vou-lhe escrevendo e recebo cartas escritas pela mãe pois ela ainda não sabe escrever, mas que incluem desenhos feitos por ela com lápis de côr. Espero um dia poder visitá-la e conhecê-la. Talvez ainda este ano...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Passeata

Ontem fui passear. Foram ao todo mais de 20Km, mas desenganem-se aqueles que possam pensar que fui apenas "fazer quilómetros", gastar as solas das sandálias, ou fazer exercício para manter uma linha esbelta especialmente na zona da cintura. Esta úlitma então só quem não me conhece é que poderia pensar tal coisa. Exercício para mim é subir escadas em vez de usar elevador, tocar bateria, ou fazer musculação ao polegar carregando nos botões do controlo remoto do DVD para não ter de descolar o traseiro do sofá. Ainda não me decidi se sexo conta como exercício físico ou só como forma de obter prazer. Se for considerado exercício se calhar também tenho tenho de incluir o mastigar de deliciosas iguarias culinárias como exercitamento dos maxilares.
Ontem foi mais um reviver a nostalgia das longas passeatas ao ar livre que já faço há quase 20 anos. Fui desde Sintra até aos Capuchos, Malveira da Serra e já tinha passado a praia do Guincho quando uma amiga me dá boleia para Cascais e depois até casa. Passei por paisagens tão diversas como a floresta da Serra de Sintra até aos areais e vista do oceano até ao horizonte que se tem no Guincho.
É claro que tudo tem um preço e hoje estou à rasca do meu pé esquerdo. Mas valeu a pena! Infelizmente, apesar de não ter tido companhia e poder dedicar os meus pensamentos exclusivamente ao que eu quiz, não deu para pôr as ideias em ordem na cabecinha e ajudar-me a encontrar uma solução para o período difícil da minha vida que estou a passar, mas pronto, não se pode ter tudo...

terça-feira, 13 de maio de 2008

O caso Fritzl

Apesar do seu mediatismo, até teria dado pouca importância a este assunto, não fosse terem-me chamado a atenção para ele num fórum a que pertenço e onde raramente vou, mas onde mencionaram o meu nome a propósito de um tópico acerca do Sr. Fritzl.
Dado o que li por lá acerca deste assunto, gostaria de deixar aqui algumas considerações, sabendo de antemão que corro o risco de ser polémico:
1- Por princípio sou totalmente contra as posturas do género:"o homem merece tudo o que há de pior",etc. Isto não quer dizer que ache que se faça de conta que nada aconteceu, mas não acredito que o punir alguém ou fazer um criminoso sofrer traga algum conforto às vítimas no sentido de lhes retirar o sofrimento porque já passaram. Já é passado e não há nada que o faça voltar atrás. Por isso mesmo gosto de distinguir entre o que é punir alguém por um crime privando-o de liberdade e o retirar a liberdade a alguém porque se revelou um elemento perigoso para a sociedade e tem de ser impedido de reincidir. Discordo da primeira e concordo com a segunda.
2- É relativamente fácil ficar-se revoltado com alguém que cometeu um crime e desejar que aconteça mal a esse alguém ou desejar que sofra como punição desse crime. Mas quem tem a legitimidade moral de executar a punição? Quem está em posição de poder dizer:"como fizeste sofrer, isso dá-me a legitimidade de te fazer sofrer pois é o que mereces"? Não será esse executante da sentença também alguém que fez sofrer de propósito e merecedor de castigo? E quantas vezes o criminoso que ele castiga não fez o que fez por doença mental, ignorância, ou outro factor que não o desejo deliberado de fazer sofrer alguém, enquanto o executor do castigo tem mesmo essa intenção? Quem será pior?
3- Um caso destes em que alguém mantém a filha presa durante vários anos, violando-a diariamente, gera reacções de revolta, apelidando-se facilmente o homem de "monstro" e desejando-lhe o pior dos males. No entanto, casos como este são empolados nos media para nos ajudar a canalizar a nossa latente revolta contra este sistema que oprime a maioria de nós e nos faz perseguir falsas ideias de felicidade, tudo para benefício dos poderosos. Poderosos esses como chefes de estado, grandes capitalistas, que fazem as guerras, causam fome e exploração, e que geram em números astronómicos à escala mundial muito mais sofrimento que milhares de Fritzls juntos. Mas a esses chamamos "Senhor", "Excelência", etc em vez de "monstro" e em vez de os julgarmos curvamo-nos perante eles.

domingo, 11 de maio de 2008

Cena da pesada

Ontem por volta das 23h passei por Santa Apolónia de carro. no entanto não deixei de reparar numa rapariga com ar de vinte e poucos. Notei que teria um belo rosto, não fossem as marcas vermelhas neste, provavelmente consequência de consumo de algo "pesado" ou de alguma doença resultante disso. Não deixei de sentir uma enorme compaixão por esta rapariga que se deixou levar por este caminho de auto-destruição.
Ainda na véspera estive à conversa com um rapaz que trabalha numa loja de instrumentos musicais e tendo o tópico da conversa sido invariavelmente música acabei por falar num rapaz que conheço e sinto bastante simpatia e que toca numa banda de que gosto muito, mas com o qual já não falo há muito tempo. Segundo o rapaz da loja, este andaria metido em "cenas pesadas" e em consequência disso andaria bastante mal.
É pena ver isto acontecer às pessoas. Ouvimos falar destes casos, mas quando entramos nem que seja um pouco em contacto com a realidade da desgraça, apercebemo-nos da sua real dimensão humana e na maior parte dos casos da impossibilidade de podermos fazer algo para ajudar.

The story of stuff








Clicar aqui para ver o site original

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O último dia da tua vida

No passado dia 24 de Abril o Lama Urgyen Chökyi Dorje (também conhecido por Lama Urgyen Chödor) por ocasião da sua 4ª vinda a Portugal deu uma conferência pública na qual falou sobre vários aspectos do Budismo que podem ser usados de uma forma prática no nosso quotidiano.
Entre diversos tópicos falou sobre a impermanência de tudo o que é composto, o que leva a que tudo o que nasce morre. Segundo as suas palavras, todos nós estamos intelectualmente conscientes de que um dia morreremos e de que não temos nenhuma certeza sobre quando esse dia será, podendo ser mesmo hoje. No entanto não a compreensão intelectual dessa verdade não significa a sua interiorização, o que levaria a viver segundo ela. Como agiríamos se soubéssemos que hoje era o nosso último dia? De certeza de forma bastante diferente. O Lama falou também de pessoas que tiveram experiências de quase morte em que chegaram a ser dadas como clinicamente mortas, e em como essas experiências alteraram a sua forma de estar na vida.
E se hoje fosse o teu último dia desta vida?...

Mais uma acha para a fogueira da repressão policial

Nova lei não impõe limites à polícia para uso da força
Para a Amnistia Internacional, a Lei de Segurança Interna é um retrocesso nos direitos humanos, pois não limita os meios coercivos.
Nuno Miguel Pereira npereira@destak.pt

A proposta de lei de Segurança Interna merece nota negativa por parte da delegação portuguesa da Amnistia Internacional (AI).
«A AI tem uma grande preocupação perante o pacote legislativo que este Governo está a preparar», revelou Paulo Albuquerque. De acordo com o dirigente da AI, a Lei de Segurança Interna, assim como a proposta de Lei de Organização da Investigação Criminal e a proposta de Lei Orgânica da PJ, «colocam em causa direitos dos cidadãos».
Paulo Albuquerque alega ainda que, com a nova legislação, «Portugal não cumpre as obrigações da Convenção Europeia dos Direitos do Homem e a Constituição portuguesa».

Uso da força não limitado
Entre as situações que a AI considera mais preocupantes está a não definição dos casos em que é admissível o uso de meios coercivos, o que, segundo o dirigente da AI, «vai contra as indicações do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos».
A AI também critica a possibilidade de inibição da difusão de comunicações para efeitos de prevenção criminal que, assegurou Paulo Albuquerque, «não tem qualquer fundamento constitucional».
Em causa está a possibilidade de as comunicações poderem ser barradas no âmbito da prevenção criminal e não, como acontece actualmente, no âmbito do processo penal. Estes são os principais aspectos negativos apontados pela AI e que levam mesmo Paulo Albuquerque a afirmar que a nova legislação «é um retrocesso no que diz respeito aos direitos humanos».
Com as novas leis deverá ser criada a figura do secretário-geral para as diferentes forças policiais.
Contudo, e segundo a AI, a legislação é omissa na articulação entre o secretário-geral e o Ministério Público, o que pode causar «conflitos».
«A lei deveria criar mecanismo de apoio entre as duas entidades», sublinhou.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Para que a plebe saiba

Ferreira do Amaral:
Antes - Ministro das Obras Públicas (que entregou todas as pontes a jusante de Vila Franca de Xira à Lusoponte)
Agora - Presidente da Lusoponte, com quem se tem de renegociar o contrato e não tem responsabilidades directas sobre a manutenção das pontes sob a sua jurisdição. É só 'empochar'...etc etc etc... a lista é um 'endless roll...'

Fernando Nogueira:
Antes -Ministro da Presidência, Justiça e Defesa
Agora - Presidente do BCP Angola

José de Oliveira e Costa:
Antes -Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
Agora -Presidente do Banco Português de Negócios (BPN)

Rui Machete:
Antes - Ministro dos Assuntos Sociais
Agora - Presidente do Conselho Superior do BPN; Presidente do Conselho Executivo da FLAD

Armando Vara:
Antes - Ministro adjunto do Primeiro Ministro
Agora - Vice-Presidente do BCP

Paulo Teixeira Pinto:
Antes - Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
Agora - Presidente do BCP (Ex. - Depois de 3 anos de 'trabalho', Saiu com 10 milhões de indemnização !!! e mais 35.000€ x 15 meses por ano até morrer...), mais uns 'trocos' como consultor e professor

António Vitorino:
Antes -Ministro da Presidência e da Defesa
Agora -Vice-Presidente da PT Internacional; Presidente da Assembleia Geral do Santander Totta - (e ainda umas 'patacas' como comentador RTP)

Celeste Cardona:
Antes - Ministra da Justiça
Agora - Vogal do CA da CGD

José Silveira Godinho:
Antes - Secretário de Estado das Finanças
Agora - Administrador do BES

João de Deus Pinheiro:
Antes - Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros
Agora - Vogal do CA do Banco Privado Português.

Elias da Costa:
Antes - Secretário de Estado da Construção e Habitação
Agora - Vogal do CA do BES

O que é isto ?
- Não, não é a América Latina, nem Angola. É Portugal no seu esplendor. Será, então:
cunha patriótica?
gamanço legal? ou, simplesmente são: sem vergonha!
...e depois este ESTADO até quer que se declarem as prendas de casamento e o seu valor ! Não é acintoso? Ultrajante mesmo? Pois...
Já é tempo de parar! Não te cales,DENUNCIA!
Já 'denunciei'!...

sábado, 26 de abril de 2008

Finalmente em paz

O dia de hoje, apesar de ainda ir a 2/3, é um dos mais especiais da minha vida, isto porque após 15 anos sem a ver voltei a encontrar-me com uma das pessoas mais especiais e importantes da minha vida. Entre outras coisas, esta foi a pessoa que me demonstrou que alguém poderia gostar de mim e também a primeira pessoa de quem eu gostei profundamente. Mesmo tendo passado estes 15 anos nunca a esqueci e sei que nunca a esquecerei até ao fim desta vida. Infelizmente a nossa separação ocorreu com muita mágoa e sofrimento. O stress que me causou junto com outros factores poderá (apenas uma hipótese) ter sido o que despoletou a minha epilepsia latente. Mas com isso posso eu muito bem. O que me roía as entranhas era saber que tinha contribuido para grande sofrimento de alguém de quem eu tinha gostado tanto. Como bem diz a minha melhor amiga, eu perdoo e esqueço muito mais facilmente o mal que me fazem do que o que eu faço aos outros, e isto proporcionalmente ao meu afecto e consideração pela pessoa em causa. Julgo que não precisam de recorrer a uma máquina de calcular para perceberem o quanto isto foi um peso para mim durante todos estes anos. Após ter andado durante +-12 anos à procura dela para lhe falar, para me explicar, e principalmente para saber como ela estava, pois apesar da nossa separação e afastamento não deixei de desejar que ela fosse feliz, consegui finalmente encontra-la e voltar a vê-la e falar com ela. É que por mais que eu estivesse arrependido (apesar de que o que fiz na altura ter sido condicionado pela minha imaturidade e escassa experiência sentimental e auto-conhecimento), precisava de ouvir da boca dela que já tudo eram águas passadas e que não tinha qualquer rancor contra mim. Isto porque além de ser triste sentir que alguém de quem tanto se gostou nos guarda rancor, é mais triste ainda saber que por nossa causa uma pessoa não é totalmente feliz por sente rancor por algo ou alguém. Finalmente, depois de tantos anos reencontrei hoje a total paz mental. Agora sei que no dia em que morrer posso fazê-lo sem quaisquer remorsos. :)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Segurar a porta

Algo tão banal como o acto de segurar uma porta pode ser fonte de grande alegria e satisfação. Quem não gosta quando alguém segura uma porta para nós, desde uma porta de um prédio até ao aguentar o fechar da porta de uma carruagem de Metro ou combóio para podermos entrar? Além disso eu também sinto alegria quando alguém faz o mesmo por mim e depois sorri com satisfação ao reconhecer os meus agradecimentos.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

I really, really, really funckin'hate rain!

And Gene Kelly is an ass-hole!

Ida ao Puarto

Amanhã ao fim da tarde bou para o Puarto e bolto no Sábado a meio da tarde, mesmo a tempo de ir a casa buscar o hardware necessário para lebar para o ensaio dos Black Kimono. Aliás, é mesmo para não me baldar a esse ensaio que em bez de ber o concerto dos Nightwish em Lisboua no Sábado bou bê-los no Coliseu do Puarto na 6ª à noite.
Esta é uma excelente oportunidade para ber ou reber algumas amigas e conhecidas da inbicta e não só (a Gi é duma terreola algures em Trás-os-Montes da qual não me lembro do nome). Umas já não bejo há montes de anos, outras só conheço birtualmente pela net e bou poder finalmente ber como são ao bibo e a cores.
Bou estar com a Ana (em casa de queim bou ficar), a Diana, a Gi, a Raquel e a SP. Como algumas delas que também são vegs espero conhecer alguns dos restaurantes com comida animal-friendly do Puarto. É só miúdas, não é? Isso é porque o Hugo (irmão da Ana) não tem o contacto do Rodolfo, guitarrista que conheci em 1993 (fase da minha bida em que ainda curtia que neim um maluco andar no mosh-pit, fazer crowd-surfing e stage-diving) quando era alto fã da banda de metal dele, os WC Noise, e que já não contacto desde 1995/1996.
Sem criar expectativas, antebejo uma experiência beim fixe. Só espero não bir de lá a falar assíim, carago!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Bottled water is for pussies


Sem querer ferir susceptibilidades :)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Sentido da vida

Não, não vou blogar sobre o excelente filme dos Monthy Pyton. Esta mensagem é também sobre a amizade, tema já abordado por quase todos os blogadores que conheço. Geralmente gosto de não ter de ser igual aos outros, mas neste caso em particular não quero ser excepção. Há uns dias enviei a seguinte frase num SMS à minha melhor amiga: "A existência de pessoas na nossa vida por quem temos a capacidade de fazer algo contribui para lhe dar significado". Esta ideia pode ter um significado ainda mais amplo se em vez de a restringir-mos apenas a pessoas, a abrangermos a todos os seres.

Civismo a metro

Não sei que unidade de medida se usa para medir a quantidade de civismo dos nossos cidadãos, mas se fosse a mesma do comprimento, em alguns casos bastariam alguns centímetros. Um exemplo que ilustra esta afirmação é o que presencio todos os dias no Metro, especialmente mas não exclusivamente à hora de ponta: aqueles que querem entrar numa carruagem afunilam-se junto às portas mal deixando espaço para os que querem sair, e como se isso não bastasse, ainda antes de todos terem saído já começaram algumas pessoas a entrar empurrando aqueles que tentam sair de volta para dentro da carruagem, provavelmente isto tudo motivado pela ânsia de não perderem para a "concorrência" o tão almejado lugar (seja de pé ou sentado) que devem julgar pertencer-lhes por direito.